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Abandono Chico Buarque O que será ser só Quando outro dia amanhecer Será recomeçar Será ser livre sem querer O que será ser moça E ter vergonha de viver Ter corpo pra dançar E não ter onde me esconder Tentar cobrir meus olhos Pra minh'alma ninguém ver Eu toda a minha vida Soube só lhe pertencer O que será ser sua sem você Como será ser nua em noite de luar Ser aluada, louca Até você voltar Pra quê O que será ser só Quando outro dia amanhecer Será recomeçar Será ser livre sem querer Quem vai secar meu pranto Eu gosto tanto de você Por cinquenta anos a Torre de Marfim da Cidade que Nunca Dorme foi protegida de inimigos no seio da seita e de fora dela. Nas noites que se seguiram ao episódio das 13 noites, noites de sangue e medo nas ruas de São Paulo, o Conde, Ventrue e senhor do dominio, assegurou que o horror daquelas noites nunca mais aconteceria. Nas décadas que se seguiram à esse episódio, São Paulo foi se assemelhando mais e mais ao seu Senhor. As ruas se tornaram duras e frias como suas feições, aqueles que chamam a cidade de lar sentiam a amargura que era o único sentimento que restava em seu peito morto, e aqueles que estavam acostumados a pensar e agir livremente sentiram o peso e o aperto da sua mão de ferro. Representado nas ruas pela famigerada Polícia Secreta e oprimindo todos os seus opositores com suas influências sem precedentes e seu poderio armado na figura do Sarraceno, seu Xerife e Algoz, o Conde era o senhor incontestável das noites paulistanas. Mas isso estava fadado a mudar. Nessas noites finais, nada mais é tomado como certo. Em sua festa de comemoração de cinqüenta anos de Principado, o Conde foi longe demais. Levando para dentro do local da festa dois membros que ele acusou de anarquistas, e os executando diante dos olhos incrédulos dos anciões da cidade e de seus membros, ele perdeu o controle. E, não obstante, em sua empreitada por justiça, a mando do Conde o Sarraceno executa diante de todos o único membro que acumulava influência e favores em quantidade suficiente para enfrentar o senhor do dominio. James Stuart, o Seneschal da cidade. Ultrajados e assustados com a ação do Principe, os membros da cidade decidiram que já tinham agüentado demais. Maria "Machado" Archon do Justicar Brujah ergueu sua voz contra a tirania de um Principe enlouqüeçido. A ralé não mais o iria apoiar. Encorajados pela anciã cujo status e cargo ele não poderia tocar, os loucos, os hediondistas e os forasteiros também retiraram seu apoio ao Conde. Mantendo o status-quo e as tradições, os Bruxos se mantiveram neutros. E, surpreendendo a todos, os Ratos de Esgoto, representados pelo seu ancião, o Barão, também retiraram o apoio ao Principe. Sem aliados, cercado de inimigos por todos os lados e pego em uma jogada politica muito bem arquitetada, só restaram algumas poucas palavras ao Conde Matarazzo: "- Se é isso que vocês escolheram para a minha cidade, que seja. Se a minha proteção não é suficiente para vocês, que seja. Mas em menos de 3 meses vocês irão voltar até mim de joelhos, implorando que eu os proteja novamente. Afinal, se não for eu, quem assumirá o Principado da Cidade que Nunca Dorme?" E com essas palavras ecoando pelo salão, o Conde desaparece, envolto nas sombras do Sarraceno, e deixando dúvidas no ar: Quem, dentre todos, tem o poder e a influência para impor a sua vontade à Cidade que Nunca Dorme e seus membros? E se esse membro surgir, existirá uma cidade para ser governada? Enigmas. Enigmas na escuridão... |